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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

HÁ PODER DE VIDA E MORTE EM NOSSAS PALAVRAS? Por Ciro Sanches Zibordi



Em Provérbios 18.21 está escrito: “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto” (Pv 18.21)”. A despeito de este versículo, aparentemente, responder positivamente à pergunta em epígrafe, sabemos que não se deve reduzir o que está escrito na Palavra de Deus a versículos isolados, haja vista ser a Bíblia análoga. Ou seja, para interpretarmos uma passagem das Escrituras, devemos levar em consideração os seus contextos geral, imediato, remoto, referencial, histórico-cultural e literário.

Já pensou o que aconteceria se cada versículo bíblico tivesse autoridade em si mesmo, independentemente do seu contexto? Todos os cristãos fiéis que partiram para a eternidade, por exemplo, estariam condenados, com base em 1 Coríntios 15.18! Por quê? Porque nesse versículo está escrito: “E também os que dormiram em Cristo estão perdidos”. Mas, graças a Deus, o contexto revela que os mortos em Cristo estariam perdidos se Cristo não tivesse ressuscitado (vv.17-19). Mas Ele ressuscitou (v.20)! Ufa!

Voltando à passagem de Provérbios 18.21, quem lê todo o capítulo 18, com atenção, percebe que não há nada aí que dê aval à falaciosa Confissão Positiva. Por outro lado, é claro que não devemos ser negativistas, queixosos crônicos, murmuradores, melancólicos. Embora isso não seja determinante para o fracasso total de um cristão — pois Deus é misericordioso e pode nos ajudar, mesmo quando passamos por momentos de fraqueza espiritual (cf. 1 Rs 19.1-8) —, devemos bendizer ao Senhor em todas as circunstâncias, haja o que houver (1 Ts 5.18; Jó 1.20-22).

Nos versículos anteriores a Provérbios 18.21 vemos que o autor sagrado não estava se referindo ao suposto poder de vida ou morte das palavras humanas, e sim ao perigo de ferir alguém por meio de impropérios: “O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como ferrolhos de um palácio. Do fruto da boca de cada um se fartará o seu ventre; dos renovos dos seus lábios se fartará” (vv. 19,20).

Os “mestres” da Confissão Positiva costumam citar o texto em apreço de modo isolado em conexão com Tiago 3.10. Mas este, também, alerta quanto à maledicência, incentivando-nos a usar a língua para bendizer a Deus (Tg 3.1-9). Leia o versículo 9, especialmente: “Com ela [língua] bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus” (v. 9).

Mas veja o perigo de se juntar textos isolados, arrancados de seus contextos: ao citar as passagens de Tiago 3.10 e Provérbios 18.21, os “mestres” da Confissão Positiva usam como ilustrações a profecia de Ezequiel diante do vale de ossos secos (Ez 37.1-10) e o episódio em que o profeta Elias “determinou” que não choveria durante três anos e seis meses (1 Rs 17.1). Ora, Ezequiel profetizou conforme se lhe deu ordem! O poder para vivificar os ossos não estava em sua palavra, e sim na Palavra do Senhor (Ez 37.4-7; Hb 4.12). Quanto a Elias, ele “era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse” (Tg 5.17). Ou seja, ele só disse o que disse diante do rei Acabe porque Deus atendera, de antemão, à sua oração.

Diante do exposto, erra quem toma o Provérbios 18.21 para sair por aí “decretando”, “determinando”, etc. O autor sagrado referiu-se ao poder de vida e de morte da língua em relação a bendizer e maldizer o próximo. Essa passagem não abona a descabida e falaciosa Confissão Positiva, que tem levado frágeis seres humanos a pensarem que toda e qualquer palavra que sai de sua boca é uma profecia. Portanto, muito melhor do que aprender a “determinar” e “decretar” com telemissionários, telebispos e tele-apóstolos é estar aos pés do Bom Pastor Jesus Cristo, que ensinou: “Pedi, e dar-se-vos-á” (Mt 7.7,8). #FicaADica.

Ciro Sanches Zibordi

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